Um dos principais itens da pauta de exportações no Ceará,
as frutas produzidas no estado têm tido queda na produção em consequência da
escassez de chuvas nos últimos cinco anos. De acordo com Levantamento
Sistemático de Produção Agrícola (LSPA) divulgado nesta terça-feira (9), nos
meses de junho e julho, das 21 variedades cultivadas no estado, houve alteração
na produção de 18, das quais quatro tiveram aumento na safra e 14 (65%)
diminuição na produção.
Em decorrência da estiagem, a expectativa de produção no
Ceará é de 970 mil toneladas de frutas frescas em 2016, decrescendo 0,11%,
comparando-se ao mês anterior e crescimento de 1,39% em relação à primeira
expectativa. Comparando-se ao ano passado esta safra apresenta a expectativa de
ser 18,60% maior que a safra passada (817.400 t).
Frutas com maior produção
O levantamento mostra que as variedades que apresentam
crescimento são o melão, melancia irrigada, acerola e banana irrigada. Já as
que apresentam diminuição na safra são melancia de sequeiro, ata de sequeiro,
banana de sequeiro, goiaba irrigada, goiaba de sequeiro, laranja, limão,
graviola, manga de sequeiro, maracujá, ceriguela, mamão, tangerina e uva.
Segundo o IBGE, o crescimento na produção do melão foi
devido à área plantada em Limoeiro do Norte ser maior que a inicialmente
prevista, irrigada através de poços profundos. A produção de melão em Morada
Nova foi em decorrência de transferência de área de Aracati, uma vez que a
dificuldade de água para irrigação em Aracati é maior.
Já a melancia irrigada, o crescimento foi devido à nova
área incluída no município de Morada Nova. Quanto à acerola, o aumento na
deve-se à ampliação de área nos municípios de Paraipaba eItapagé, irrigados
através da água de poços. Sobre a banana irrigada, o IBGE fez uma reavaliação
no rendimento esperado no município de Iguatu, pois “houve um ligeiro aumento
de rendimento da banana devido a recuperação de Bananais que haviam sofrido com
a ventania ocorrida no ano passado na região”, diz o levantamento.
Produções prejudicadas
Com relação à banana de sequeiro, o quinto ano consecutivo
de seca de seca afeta o rendimento nos municípios de Sobral, Poranga,
Itapagé, Sertão de Crateús e municípios
do Sertão de Inhamuns. Além disso, a área foi reduzida nos municípios de
Caririaçu, Abaiara e em municípios da
microregião do Cariri, face à morte de bananeiras.
Sobre a goiaba irrigada, a escassez de água para a
irrigação afetou os rendimentos nos municípios de Sobral, Catarina e Caririaçu.
Além da falta de água, houve ocorrência de pragas nos municípios de Aurora
(nematóide), Barro (lagarta das folhas na fase de mariposa) e Mauriti (mosca
das frutas).
Quanto à goiaba de sequeiro, a escassez de chuvas
comprometeu o rendimento no município de Piquet Carneiro. A laranja, que necessita ser regada ou
irrigada para produzir, face à escassez de água, apresentou queda no rendimento
no município de Sobral e na microregião do Sertão de Crateús. No município de
Crato, constatou-se que a área foi reduzida em virtude da morte de laranjeiras
nestes anos de seca.
Pelo mesmo motivo o limão, apresentou queda no rendimento
no município de Sobral.
O cultivo de graviola, no município de Apuiarés teve a área
reduzida devido à dificuldade de água para irrigação. Sobre a manga de sequeiro, houve redução de
área nos municípios de Apuiarés,Tarrafas, Crato e Jardim, pois os sucessivos
anos de seca vêm causando a morte de mangueiras.
Abacaxi é exemplo de fruta que teve aumento de preço em
Roraima (Foto: Rodrigo Menaros / G1 RR)Produção do abacaxi deverá ter
crescimento de 17,45% em relação ao ano
passado (Foto: Rodrigo Menaros / G1 RR)
Outros frutos
Segundo a pesquisa, a abacaxi de sequeiro continua com a
produção estimada em 778 mil frutos, representando redução de 28,95%,
comparando-se ao primeiro levantamento. Mas, crescimento de 11,46%,
comparando-se à safra 2015 (698 mil frutos). Já o abacaxi irrigado tem produção
estimada de 2.262 mil frutos, representando crescimento 1,62% comparando-se com
a primeira estimativa (2.226 mil frutos) e 17,45%, comparando-se à safra 2015
(1.926 mil frutos).
O coco-da-baía (seco) decresce para a produção estimada de
120.090 mil frutos, representando redução de 0,14%, comparando-se ao mês
anterior (120.261 mil frutos). Esta redução ocorreu porque em Cariruaçu,
Abaiara e Apuiarés, devido aos anos de seca, o rendimento dininuiu e no
município de Jardim a área também foi reduzida. Em consequência, houve redução
de 0,14% em relação ao primeiro prognóstico (121.248 mil frutos), mas, ainda
crescendo 54,41%, comparando-se à safra 2015 (77.772 mil frutos).
Já o coco-da-baía (água) apresenta redução de 0,20% em
relação ao mês anterior (203.090 mil frutos) devido à água para irrigação estar
sendo insuficiente nos municípios de Groaíras, Poranga,Piquet Carneiro,
microregião do Sertão de Crateús e municípios da microregião do Sertão de
Inhamuns. Além disto, a área diminuiu em Apuiarés e Caririaçu. Em consequência, comparando-se ao primeiro
prognóstico (203.825 mil frutos), a redução é de 0,56% e crescimento de 81,57%,
comparando-se à safra 2015 (111.626 mil frutos).
Produtores estão animados com a produção de coco (Foto:
Reprodução/TV Fronteira)Produtução de coco teve crescimento de 81,57% em
relação à safra de 2015
G1 CE
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