A adoção de um teto para os gastos da União vai prejudicar os
repasses para políticas sociais executadas pelas prefeituras, disse nesta
segunda-feira, 24, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM),
Paulo Ziulkoski. Segundo ele, a disputa por recursos dentro do Orçamento
federal impedirá que os valores transferidos aos municípios sejam corrigidos ao
menos pela inflação.
“O remédio que estão aplicando é muito forte e pode matar uma área
muito importante, que é a social. Os prefeitos já estão em situação precária, faltam
de condições de aplicação da lei. Isso vai afetar o cidadão que precisa de
coisas singelas, mas fundamentais, como farmácia básica. Os valores
(repassados) já estão defasados e não vão ter correção nos próximos 10 anos”,
disse.
Hoje, as prefeituras são responsáveis pela execução de
aproximadamente 390 programas do governo, como Saúde da Família, farmácia
popular, creches e transporte escolar. “Não há dinheiro novo, não vai se
sustentar nem o que está aí. A população vai pagar muito caro por crise que
estamos vivendo”, acrescentou Ziulkoski.
Na última sexta-feira, 21, o Broadcast mostrou que 2.442
prefeituras de 3.155 municípios investigados pela CNM (77,4%) já estão no
vermelho, e o quadro deve se agravar até o fim do ano, quando os novos gestores
devem assumir uma verdadeira bomba fiscal. De 23 capitais incluídas no
levantamento, 19 estão no negativo, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Porto
Alegre.
Posição radical
A situação é tão crítica que a Confederação está recomendando aos
prefeitos que não façam nada além de suas responsabilidades. Quem assumiu
despesas dos Estados, como combustíveis para veículos policiais ou transporte
de alunos que não sejam do ensino fundamental, está sendo aconselhado a fechar
a torneira.
“Os municípios têm de tomar posição mais radical (de não assumir
outras responsabilidades). Não têm dinheiro, como vai atender o vizinho? Mas é
a população que vai padecer mais ainda”, reconheceu. Ziulkoski disse ainda que
é falacioso dizer que a saúde será preservada durante a vigência da PEC do teto
de gastos. “A saúde não está protegida. Isso é para iludir os incautos.”
Ao longo desta semana, a entidade está promovendo uma espécie de
“cursinho” para prefeitos eleitos e reeleitos sobre gestão. A lição principal é
o ajuste fiscal. Mas a CNM reclama de ter sido abandonada pela União, que
deveria, segundo o presidente, dar respaldo a essa tentativa de reorganizar as
contas municipais.
“Tem um componente político, o governo provisório precisava se
consolidar para ter senadores para votar impeachment, e quem tem força com
senadores são governadores, não os prefeitos. Mas estamos nos sentindo
abandonados totalmente, inclusive com essas leis que estão sendo aprovadas
agora”, disse Ziulkoski, citando a PEC do teto de gastos e a Desvinculação de
Receitas da União (DRU), prorrogada até 2023. “Não há diálogo, não há lealdade
ao que foi prometido pelo governo Temer.”
agenciaestado
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