As águas do Açude Castanhão, em Alto Santo, não serão mais
destinadas ao abastecimento complementar de Fortaleza e da Região Metropolitana
até o fim da quadra chuvosa de 2018, que deve terminar em maio. A medida foi deliberada
em resolução do Conselho de Recursos Hídricos do Ceará (Conerh), publicada no
Diário Oficial do Estado do último dia 26 de fevereiro. O documento estipula
que, ao fim do período mais intenso de precipitações, o reservatório
"passará por nova avaliação".
Segundo o Conerh, a manutenção da operação do açude Castanhão
ficará condicionada à chegada ao volume mínimo de 173,34 milhões de m³ até
amanhã. Atualmente, o reservatório está com 148,69 milhões de m³, ou seja,
guarda apenas 2,22% da capacidade total, conforme dados do Portal Hidrológico
do Ceará.
No dia 23 de outubro de
2017, o Diário do Nordeste mostrava que a Capital não dependia apenas do
Castanhão para o seu abastecimento
Há um ano, esse mesmo volume era de 342,6 milhões de m³, correspondentes
a 5,11% do total, que é de 6,7 bilhões de m³. Além disso, ficou resolvido que o
volume de água fornecido pelo açude para os perímetros públicos de irrigação
será reduzido em 30%, passando de 2,15 m³ por segundo para 1,5 m³ por segundo,
conforme a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
Após o dia 1º de março, "o Conerh deliberará sobre novas
medidas na operação do Açude Castanhão, assegurando o atendimento do
abastecimento humano e da dessedentação animal", afirma a resolução,
"com enfoque na alteração do cenário de aporte hídrico do reservatório e
no fluxo de água dos rios que o abastece".
A Cogerh informa que está monitorando o comportamento dos
rios/aportes aos reservatórios para subsidiar, com dados técnicos, a próxima
reunião do Conselho, que será realizada no dia 6 de março para decidir sobre a
suspensão ou não da água para a irrigação.
"Ressalte-se que, no
período chuvoso, a irrigação é apenas complementar, ocorrendo apenas em
eventuais veranicos (período de estiagem com calor intenso)", afirmou o
órgão através de nota. Nas últimas 24 horas, o nível do Castanhão aumentou 15
centímetros, o que corresponde a 0,07% da sua capacidade total.
Tanto a lei federal 9.433/1997, conhecida como "Lei das
Águas", quanto a lei estadual nº 14.844/2010, que instituiu a Política
Estadual de Recursos Hídricos no Estado do Ceará, estabelecem que, "em
situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo
humano e a dessedentação de animais".
Por isso, as decisões do Conselho consideram que o Ceará vem
passando por um período de estiagem desde 2012, obrigando o Governo do Estado a
expedir, em outubro de 2015, ato que declara Situação Crítica de Escassez
Hídrica e que está vigente até hoje, bem como "a situação crítica"
atual de armazenamento nos reservatórios do Sistema Integrado Jaguaribe-Região
Metropolitana, conforme avaliação da Cogerh.
Menos dependente
Apesar da suspensão, a Grande Fortaleza já havia se tornado menos
dependente do Castanhão desde o ano passado, quando as águas do açude passaram
a responder por cerca de 10% da água que chega à Capital.
A região é suprida pelos 22 reservatórios da Bacia Metropolitana,
cujos principais açudes são o Pacoti, o Pacajus, o Riachão e o Gavião.
Atualmente, os quatro mananciais estão com 9,22%, 17,79%, 34,24% e 85,29% de
capacidade preenchida, respectivamente.
Além disso, para diversificar as fontes hídricas, o Governo do
Estado tem investido em poços, adutoras, Eixão das Águas e Canal do
Trabalhador; no reúso da lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água
(ETA) Gavião, em ações de combate a fraudes na rede de distribuição, na
retirada de vazamentos e na escavação de poços em equipamentos públicos.
FONTE: O POVO
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